GandaM@lhos BTT

A glória não está em não cair…, mas sim em levantar-se sempre…


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Bemposta – Grande BTT no Douro Internacional!

Trilhos do Douro Internacional, na localidade de Bemposta, Mogadouro, é um daqueles eventos de BTT que vai correndo no meio betetístico como sendo um evento de referência de boa organização, bons trilhos e muito e boa comida.
Inserido em parte, no Parque Natural do Douro Internacional, numa zona que ainda não conhecia, a pedalar, decidi, este ano de 2012,  verificar tal facto, e  colocar o carro a caminho e percorrer muito perto de 600 km, (ida e volta) em direcção à Bemposta nesta Primavera invernosa.

Bemposta - A 1.ª barragem no Rio Douro

Vale também a pena informar que este ano de 2012, me encontro inscrito no Open Regional de Maratonas XCM organizado pela Associação de Ciclismo de Bragança.  Ora sendo esta a 2.ª prova do calendário daquela competição,  e estando já o BTT  no 6.º ano da sua existência, estava reforçado o pretexto para empreender mais uma longa jornada de BTT.

Aquecendo...

E, a titulo de rescaldo, pude verificar a excelência do que a organização promovida pela junta de freguesia de Bemposta, e comandada pelo Sérgio Ramos, consegue colocar no terreno. Embora não o conheça pessoalmente, aqui fica o meu elogio para ele, pela vontade que tem em não desistir, e de continuar a levar pessoas à sua terra, organizando um excelente evento de BTT.

Pude constatar, que mesmo apesar do mau tempo que se fez sentir no fim de semana, com chuva e muito frio, ali compareceram perto de 250 corajosos betetistas, alguns oriundos de localidades tão distantes como Sepins, Viana do Castelo, Trofa, Porto, etc, que ali se deslocaram para pedalar…também assinalo a presença de um número considerável de betetistas “nuestros hermanos”.

Pude verificar que todo o entorno da prova se concentrou junto ao pavilhão desportivo  de Bemposta, onde durante todo o dia houve animação com música, chamando à rua os moradores daquela pacata localidade, que também acabaram por ter um dia diferente ao presenciarem todo o “circo” que uma prova de BTT acarreta.

P.T.T. (Passeio Todo Terreno) 🙂

Pude verificar da existência de um passeio pedestre, não só para acompanhantes de participantes, mas também para moradores da freguesia, e outros, que também ele acabou por ser bem desafiante, pois percorreu perto de 10 km até bem perto das margens do rio Douro, compensado-se o esforço destes caminhantes com uma bela merenda, e transporte de autocarro de regresso à Bemposta.

Bora lá...

Pude verificar o facto de haver partidas separadas para o pessoal do Open, e para os restantes na vertente de passeio, com muita assistência de populares, o que deu um calor especial.

Tive o privilégio de percorrer 63 km de um percurso irrepreensivelmente marcado, com setas e fitas, e avisos de perigo, onde não havia a mínima hipótese de alguém se enganar.

Foto by Paulo Ministro

Percurso muito equilibrado, que contava com locais de grande espectacularidade, a descer…, onde a paisagem era uma tentação e uma distracção… e uma subida… (perigosa… 😉 ) que vou recordar por bastante tempo. Maioritariamente sem grandes desníveis de altitude, ficou, no entanto, para mim muito difícil de fazer por força da muita lama existente nos trilhos. Mas é de BTT que falamos aqui, e da minha recorrente falta de pernas…

Pude constatar qualidade dos (3) reforços, que tinham tudo que um atleta pode necessitar, fruta, agua, sumos, pão queijo, marmelada, e num deles isto e ainda mais: javali estufado no pote, alheiras, e outras  iguarias …

Também tive a oportunidade de, no final da prova retirar a enorme quantidade de lama que a bicicleta queria trazer para casa, nas mangueiras disponibilizadas para o efeito.

Apesar de ser dos últimos a chegar (para não variar!) ainda tomei banho de agua quase quente, no balneário disponibilizado.

E para almoço, nada melhor para repor as energias perdidas, do que uma bela e saborosa posta.

Ficou a faltar apenas, o champanhe e caviar para aqueles mais exigentes…

As classificações ainda não saíram, nem as do Open, nem as do passeio, mas assim que saírem aqui darei notícia.

Evento altamente recomendável que fica de vez na minha agenda. Vale também para uma visita turística, pois a zona é particularmente bonita.

E não adianta prosar muito mais!

As fotos possíveis  no 

O meu registo

O percurso no .


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SRP 160 – Uma ultra maratona…de BTT!

O conceito de ultra maratonas de BTT em Portugal conta, entre outros, como fundadores, a empresa Trilhos Vivos, a organizar actualmente um campeonato, o Ultra Series.
Corria o ano de 2008, quando aqueles amantes da modalidade decidiram colocar os participantes BeTeTistas a testarem os seus limites físicos e psicológicos, numa extensão de 160 km ao rolar pelos caminhos alentejanos em redor de Serpa.
Desde então, esta prova foi ganhando um estatuto especial no panorama do BTT em Portugal, fruto também da participação de atletas de nomeada, mas também pela participação de inúmeros atletas amadores que ali vão para superar os seus limites.

Um dos ícones do SRP 160 – Minas desactivadas de  S. Domingos

Acredito que não haverá um único betetista em Portugal que não gostasse de iniciar e terminar este grande desafio.
Em 2011, o SRP160 fez parte do meu calendário, mas como não tinha companhia para pedalar, adiei a participação.
Achei que este ano não poderia faltar, e a solo, como já vem sendo hábito, decidi assumir a grande aventura alentejana.
E passadas já que foram algumas horas, apenas posso dizer que foi uma aventura absolutamente inesquecível!

Primeiro pela vertente turística da questão, pois pude ir logo pela manhã na véspera do evento, para poder ter um resto de dia tranquilo. O lugar escolhido para jantar, (muito bem!), e pernoitar acabou por ser Pias, a cerca de 15 km de Serpa.
Depois, ao assumir o risco de iniciar uma prova desta envergadura, sem ter feito qualquer plano de treino especifico, apenas com uma enorme vontade de chegar ao fim, acabou por ser uma jogada muito arriscada que felizmente terminou bem.

102 km no pelo…

Acabou por ser um longo exercício de 10 horas e 7 minutos em cima da bicicleta, (!!!) em condições meteorológicas que não ajudaram muito, com alguma chuva logo após a partida, sempre a fazer muito frio, e MUITO vento contra nos 40 km finais.
Contando com a preciosa ajuda da minha “directora desportiva” 😉 , e respectivo carro de apoio, que guiado pelo GPS do Nokia 500, conseguiu estar sempre presente em todas as ZA’s (cinco!) para providenciar aquela ajuda essencial, nas alturas em que um ciclista solitário que percorre aqueles intermináveis montes alentejanos mais necessita.

Roupa trocada … e já só faltam 60 km….

Pude por exemplo mudar de roupa, tirando a que estava encharcada pela chuva e transpiração, para uma seca e quente, o que deu logo uma sensação de conforto enorme…para enfrentar os 60 km que faltavam. Pude comer umas empadas de carne deliciosas, que não estavam disponíveis para mais ninguém… Pude tomar uns drunfos para tentar aliviar as fortes dores que já trazia nos pulsos… enfim serviço VIP mesmo!

Brutal!

Quanto aos longos 160 km, convém reportar aqui que a dureza reside essencialmente na distância, agravada ou não pelas condições climatéricas. Não deixa de ser um acumulado razoável, mas que é diluído pelos longos 160 km. A organização anunciava  mais de 3 mil, mas nestas coisas de altimetria as coisas variam bastante… Mas o percurso é bem rolante e ciclável.
Fui falando durante todo o percurso com vários atletas ou incentivando, ora sendo incentivado, o que ajudou a passar a distância.

O single do Guadiana

Tem uma já mítica passagem num single track brutal junto ao Guadiana, que este ano estava muito pouco ciclável, devido à lama, e conta com passagens por sítios de rara beleza, pois nesta altura do ano o Alentejo, está com uns tons de verde, verdadeiramente espectaculares.

Inesquecível é também a passagem pelas minas desactivadas de S. Domingos. Como curiosidade fica o facto de esta ter sido a primeira localidade de Portugal a ter fornecimento de energia eléctrica, e a primeira linha de comboio também se iniciou ali.  Foto acima e muitas  em http://www.btt-tv.com/.
Acho que a gestão da alimentação e do esforço durante a prova é fundamental para se conseguir manter o ritmo que cada um consegue dar. No meu modesto registo, para variar, só consegui andar 16 km por hora…
Classificação AQUI!

Final da tareia de 163 Km!

Convém referir aqui que o vencedor da prova foi o Vitor Gamito com um registo extra terrestre de 6 horas e 29 minutos. (!!!)

A organização, faz um excelente trabalho na minha modesta opinião. Fazer a escolha e  marcação de um percurso de 160 km no meio daquela imensidão de terra deve dar muito trabalho. E foi feito de forma exemplar! Positivo ainda a eficiência do secretariado, toda a informação disponibilizada, a simpatia dos colaboradores dos Trilhos Vivos, o lubrificante para a corrente em todas as ZA’s, ainda tive agua morna para tomar banho, e até o “lanche” me soube bem, pois foi um “mix” de bacalhau espiritual e migas com entrecosto, que estava bem confeccionado. Negativo, é o preço a pagar por tudo isto, mas é uma vez na vida, e fica sempre bem dizer: – “Já fiz o Serpa 160….!”

E não adianta prosar muito mais!

As fotos no 

O meu registo
O percurso no (***)

(***) este percurso anda muitos km em propriedades privadas abertas só para a realização do evento.

E…, já me esquecia: – Já fiz e terminei o Serpa 160!!! 😉